ARQUITECTURA E DESIGN
Rita Daniel

Estando perante um projecto experimental sujeito ao limite do tempo, a maneira de encarar o desafio é olha-lo como um fruto que nasce flor e, que nesse intermédio da sua existência, alguém o observa e contempla, cheira-o e colhe-o para por fim o saborear. O tempo é curto e a vida escasseia num fulgor. O desafio será aproveitar esse instante, para pôr nele um pouco de tudo deste novo ano, que de certa maneira acabará por o caracterizar, expondo-lhe as dúvidas, convicções e dificuldades deste século e destas gerações. Cabe-nos preenche-lo de ideias, conceitos e visões que lhe darão uma identidade própria.

Que mudanças sofrem a arquitectura e o design todos os dias? A sociedade altera-se significativamente no cerne da sua geração, e nós questionamos a importância das suas influências para a vivência e a forma dos espaços, dos objectos, de uma imagem ou de um conceito. O híbrido tornou-se a palavra chave neste início de século, a velha escola, a estação dos correios, a farmácia, o barbeiro ou a padaria passam agora a estar, muitas vezes, sob o mesmo tecto. No desenho da cidade a praça perdeu traços e usos, o encontro tornou-se esporádico e os jogos já não são os mesmos. Exige-se de um objecto infinitas funções, de preferência que seja também leve, compacto e sóbrio. Somos continuamente obrigados a conviver com imagens publicitárias, informativas ou artísticas e entre elas, qual se torna mais cativante? Qual a que ultrapassa os limites e que acaba por captar a atenção até do individuo mais distraído? Há também o eterno retorno ao passado e o volver aos padrões, objectos, formas e usos que parecem ainda não ter perdido sentido. Os sistemas começam a ser repensados sempre em prol do meio ambiente, conquanto é ao ar livre onde passamos cada vez menos tempo. Que alterações providas de tecnologias inovadoras surgirão a seguir? Quais serão as surpresas para esta década e de que maneira conseguiremos assimilar tudo que nos chega de maneira tão abrupta?

São estes os pontos que definem os traços orientadores desta área. Os caminhos são vários e, muitas vezes abstractos, e as interrogações infinitas. Acima de tudo é  tê-las e, na insignificância da nossa sabedoria tentar responde-las, entrelaçando pensamentos, ideias, formas e funções, arquitectura e design. Estabelecendo pequenos movimentos que, mesmo ocultos, se fazem sentir no conjunto através de ambições multidisciplinares que abordem um pouco sobre muito.

O desafio passa por tentar explorar temas fora do circuito comercial, que não fujam à actualidade nem sejam demasiado abstractos, mas que demonstrem ansiedades e preocupações contemporâneas. Procurar pessoas mais do que nomes, com vontade de partilha e discussão de interesses que viajam entre arquitectura e design.  A flexibilidade do mundo virtual permitirá o desvanecimento de barreiras, onde prevalece a comunicação dos temas obrigando-os a conviverem lado a lado, explorando algumas das vertentes que os englobam - urbanismo, reabilitação, interiores, paisagismo ou equipamento, gráfico, packaging ou web design.

 

 

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