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Manifesto A
Anónimo

Heróis como Hamlet, cuja tragédia não deixa de ser uma conquista, são exemplos de forças artísticas que ajudam à formação das mentalidades. O Teatro é um veículo, assim como a Literatura, a Música, o Cinema, as Artes Plásticas... Os conteúdos suportados por estas técnicas de comunicação interferem de modo activo na tomada de consciência. Então vejamos como a consciência deve ser a plataforma basilar para o avanço das comunidades: As características de uma sociedade mudam quando o colectivo se consciencializa. Do quê? Dos comportamentos que revelam as práticas reais, embora muitas vezes os pensamentos e as vontades do povo possam não ser coincidentes.

A percepção do problema é a primeira atitude a encabeçar o processo terapêutico. E, claro está, quando se fala em terapia deve existir no seio da experiência a inevitabilidade de uma patologia latente. A sociedade ocidental, e em concreto a portuguesa, tem revelado uma insegurança generalizada e, como tal um sistema imunitário débil ou até mesmo auto-imune. Ora é precisamente nas pólis que nasce o formato de organização e crescimento da civilização ocidental. Quando se diz que o homem é um “animal político” e a cidade é a comunidade organizada formada pelos cidadãos, quer dizer que cada cidadão é um polotiko (não esquecer que este é um conceito da antiguidade grega). Mas, apesar destes conceitos estarem distantes no tempo, o direito consuetudinário é um constructo além de legítimo, válido. Entretanto o modelo político foi sofrendo alterações progressivas, o que me leva a concluir que a mudança somos nós. Os cidadãos. Principalmente os que vivem nas cidades onde a cidadania tem vindo a ser gradualmente substituída pela sobrevivência (daí que a mudança esteja a ser propulsionada maioritariamente pela necessidade e menos pelo ideal).

Neste trabalho, o Anónimo fala em nome do povo, sendo que o povo fala através do Anónimo. Em termos conceptuais a assinatura desta intervenção com um A podia ser facilmente confundida com o símbolo revolucionário da Anarquia, tal como a descreve George Woodcock. É antes um estímulo para que o cidadão tenha uma responsabilidade activa na mudança da história. E a história hoje em dia faz-se nas cidades, nas capitais. Onde os governos legislam e onde os seus organismos principais de modelação da sociedade se encontram.

Em meu entender, os ditados ou provérbios populares são a voz do todo. Do povo anónimo representado pelo pensamento de todos e de ninguém em particular. Não há um autor definido e singular. Trata-se de uma manifestação unânime; verdadeiramente democrática na sua essência. Não perpassa nenhuma corrente política com forma física. É feita por todos e serve a todos. Deve existir, por isso um espaço democrático capaz de contemplar as vontades dos cidadãos. O recurso a espaços públicos em aplicações artísticas deve fazer parte do actual património cultural.

Este é o meu manifesto, a minha intenção. A consciência de todos para todos, sem aspas.


Hospital de Sta. Maria [MS]

Estátua Marquês de Pombal [MCTES]

Câmara Municipal de Lisboa [MAI]


Túnel do Marquês de Pombal [MOPTC]

Castelo de S. Jorge [MDN]

Instituto da Vinha e do Vinho [MEI]

Assembleia da República [MJ]
Fórum Picoas [MNE]

Agência Europeia de Segurança Marítima [MADRP]

Centro Cultural de Belém [MC]

Voz do Operário [MTSS]

Instituto Camões [ME]

Itinerário das intervenções de Anónimo.
Nota: Não estão registadas as intervenções no C.C. Amoreiras [MAOTDR] e na Casa da Moeda [MFAP]
porque terão sido eliminadas antes de ser possível fotografar.

 

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