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Mudar Portugal, com a Nova Geração!
José Pedro Pereira

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Alguns problemas antropológicos das políticas
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A violência no cinema americano dos anos 80.

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Mudar Portugal, com a Nova Geração!
José Pedro Pereira

"A pessoa humana define-se pela liberdade. Ser homem é ser livre. Coarctar a liberdade é despersonalizar; suprimi-la desumanizar. A liberdade de pensar é a liberdade de ser, pois implica a liberdade de exprimir o pensamento e a de realizar na acção"[1]

“Our progress as a nation can be no swifter than our progress in education. The human mind is our fundamental resource.”[2]

Numa altura em que o País e o Mundo atravessam a maior crise da história, é importante termos a coragem de debater, discutir e encontrar soluções que não só nos permitam sair desta situação de declínio, bem como dotarmos as novas gerações de instrumentos que nos permitam sonhar e ambicionar com um futuro bem melhor.

Se entre 1985 e 2000, Portugal cresceu em média muito acima dos países da Europa, desde 2001 e em especial a partir de 2004, Portugal cresceu ao ano, menos de metade do que o resto dos países europeus, resultando este atraso num afastamento de Portugal em relação à média europeia.

Isto levou a que Portugal tornasse-se num país com uma economia em decadência, que cresce pouco, ou nada, com um aumento da produtividade baixo, com baixos índices de exportação, apostando deficitariamente na ciência, na inovação e na tecnologia. Um país endividadíssimo, fruto de uma máquina de estado pesada, opressora e despesista, que aposta pouco nas pessoas, com um sistema de ensino que não tem em conta as reais necessidades do país, com graves atrasos estruturais e com uma sociedade cada vez mais desigual e desequilibrada.

Portugal tem de voltar a ter a vontade, o dinamismo e a coragem que o lançaram nos descobrimentos de novos mares, povos, terras e culturas, se quiser, não só sair da crise em que está mergulhado, como também, voltar a estar mais perto dos grandes centros de decisão.

Urge por isso, encontrarmos um conjunto de novas soluções, ouvindo todos os quadrantes da sociedade, onde a juventude tem e deve ter um papel fundamental no desenvolvimento de novas políticas, não bastando reformar ao sabor da ideologia de cada governo que passa por São Bento. É preciso mudar e nós, Jovens, temos de estar na linha da frente dessas Mudanças.

Não podemos conviver com um sistema de ensino que premeia o desleixo, a incompetência e a indisciplina.

Chegou a hora de lutarmos por um sistema de ensino que premeie a excelência, a competência, o rigor, onde os estudantes são livres de escolher o seu caminho, e onde a base do mesmo, seja as reais necessidades do país, não podendo serem gastos os parcos recursos do mesmo na formação de mais desempregados.

Temos igualmente de apostar na qualificação e requalificação da força laboral portuguesa, tendo neste sentido, de incentivar a via profissionalizante do ensino. O país já perdeu muito em matéria de desenvolvimento estrutural e competitividade por apenas olhar e dar enfoque à via tradicional do ensino.

Não conseguiremos superar a crise e aproximar Portugal da linha da frente dos países desenvolvidos, se não formos capazes de criar emprego, e nesse sentido temos de inverter os actuais números existentes neste capítulo em Portugal, onde segundo dados do INE são já 625 mil desempregados, a que corresponderá a uma taxa de 10,3% da população activa, sendo que isso, segundo as estatísticas da OCDE, a maior taxa de desemprego dos últimos 20 anos em Portugal.

Pela negativa, é importante destacar, que mais uma vez, os jovens são os mais prejudicados pelas más políticas do governo, sendo os mais afectados por este fenómeno, representando 21% da taxa de desemprego.

Podemos inverter estes números apostando numa política de promoção do auto-emprego, incutindo nos jovens portugueses desde muito cedo um espírito empreendedor, onde as autarquias, as escolas e as entidades regionais devem criar condições como a criação de “incubadoras”[3], a criação de um gabinete de transferência de tecnologias, e o apoio ao capital de risco. Só assim poderemos incentivar os jovens a criar a sua ideia de negócio e a gerar empregos que tornem o país mais competitivo.

É essencial criar incentivos aos empresários portugueses que apostem na contratação de jovens licenciados em busca do primeiro emprego, e criar medidas de apoio ao jovem trabalhador dependente, fomentando a sua qualificação e mobilidade social.

Só tornando os portugueses mais qualificados, é que podemos tornar as nossas empresas mais competitivas, aumentando as nossas exportações e diminuindo o défice da nossa balança comercial. Daí a aposta num novo sistema de ensino para Portugal.

Só fomentando a criação de emprego é que podemos aumentar a nossa força laboral, tornando a nossa economia mais competitiva e o país mais desenvolvido, diminuindo a injustiça e o fosso social. Eis em parte a necessidade deste fomento à criação de novas empresas, ao auto emprego e a contratação de jovens quadros.

Reduzindo e controlando a despesa da máquina do Estado é que poderemos baixar o défice. Diminuir o IVA e o IRC, fazendo com que os portugueses ganhem mais poder de compra, provocando uma maior circulação monetária e consequente maior investimento privado, são outras medidas essenciais para podermos superar a crise.

E para que esta mudança seja efectiva, o envolvimento político dos Jovens tem de ser mais proeminente. Poderemos assim iniciar um conjunto de reformas que dêem um novo rumo a Portugal, por isso é hora de credibilizar a política e os políticos e mobilizar a Juventude para os combates que se avizinham.

Apesar de todas estas dificuldades, estou convicto que, como no passado, o nosso País será capaz de conquistar grandes feitos, de relançar a nossa economia, qualificar os portugueses e recuperar os nossos atrasos estruturais, colocando-nos na linha da frente do desenvolvimento e do progresso.

De olhos postos num futuro mais risonho, chegou a hora da Nova Geração agir. Só assim conseguiremos inverter o rumo dos acontecimentos, e ultrapassar as crónicas deficiências, como também lutarmos para já hoje, vencermos os desafios do Futuro!

[1] Francisco Sá Carneiro (1981) Textos V.1 Editorial Progresso Social e
Democracia, Lisboa, pág. 27 – excerto recolhido no âmbito de uma
entrevista concedida ao jornal “A Capital” no dia 9 de Outubro de 1969.

[2] Jonh F. Kennedy, num excerto retirado de uma mensagem especial
ao Congresso americano sobre a temática da Educação, feita no dia 20
de Fevereiro de 1961.

[3] Incubadoras serão ambientes propícios para o surgimento,
fortalecimento e expansão de novas empresas.

 

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