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A República fez 100 anos. O que ofereceria à República?
Vox Populi

É tempo de celebração. Em tons verde rubros. A República é a aniversariante. 100 Anos passaram sobre a sua implantação desde a varanda da Câmara de Lisboa, no longínquo 5 de Outubro de 1910.

Celebrando tal facto, e tendo em conta que, etimologicamente, a palavra República provém do latim res publica [tradução livre - assunto público], nada como ouvir a voz do povo e trazer para uma secção, que sempre se pretendeu aberta, opiniões de cidadãos recolhidas na rua e na rede nos últimos dias. fruto de uma recolha perfeitamente aleatória e desprovida de qualquer critério estatístico, não se pretende de todo retirar qualquer tipo de extrapolação científica nas respostas obtidas.

É tempo de festa. E esta é a nossa oferta enquanto secção. Deixemos então os Portugueses oferecer algo à sua República. Saibamos o quê.

Nota do Editor

João Ferraz, 27 anos
Uma nova Constituição. Mais simples, menos dogmática e que não seja um empecilho ao desenvolvimento do país e que permita que as políticas se adaptem aos contextos e à conjectura. Em suma, uma Constituição intemporal e apartidária.

Andreia Santos, 19 anos
Nada. Ninguém dá nada a ninguém, tudo o que ganhamos é conseguido através do nosso próprio esforço. Para além de estar muito descontente com a nossa República, 100 anos passaram e pouco mudou. Continuamos cada vez mais pobres e já é tempo de ser inverso. Estamos em crise, não há nada para festejar.

Ana Sofia Alves, 26 anos
Um livro de História de Portugal, para honrarmos e valorizarmos a nossa história, que é tão bonita e com as lições do passado, podermos desenvolver uma melhor política para o futuro.

Nuno Santos, 30 anos
Acho que talvez um GPS seria uma boa oferta, para evitar caminhos longos e desinteressantes que muitas vezes ocorrem. Por outro lado acho que um iPod seria também uma benesse, para ver se traz um pouco de relaxamento, criatividade e bom gosto à sua constituição.

Sofia Santos, 26 anos
Um Megafone. Para pudermos espalhar o som da liberdade de expressão.

Adriana Ventura, 21 anos
Enviava-lhe um postal de Manchester onde ia relatar a experiência das 3 primeiras semanas de Erasmus e descrever a qualidade dos professores quanto à preocupação e atenção dada a todos os alunos.

João Nóbrega, 26 anos
Para celebrar, um cocktail.... Molotov!! (fight the system!)

Sara Rabaço, 23 anos
Oferecia à República a própria República, porque hoje em dia é um monarquismo no controlo de mentalidades. Não no controlo directo de actividade ou de discussão, mas no sentido que as coisas são controladas. No inconsciente as pessoas acabam por ser manietadas e ficam sem uma verdadeira liberdade de acção.

Norberto Santos, 68 anos
Não sei bem o que dizer, pois na passagem da Monarquia para a República as expectativas eram diferentes. Hoje a República não corresponde aos anseios de 1910. Criou-se na altura uma enorme expectativa, mas os sucessivos governos, quer os da Iª República, quer os da ditadura do Estado Novo, quer os governos democráticos do pós-25 de Abril, nenhum correspondeu às expectativas dos fundadores da República. Hoje aliás observamos que muitas das democracias mais avançadas possuem Monarquias. Daí que considere que as expectativas tenham sido defraudadas.

Emanuel, 17 anos
Um manguito. Primeiro porque a República não faz 100 anos, pois esteve interrompida. Segundo é esta cena toda da República fazer 100 anos, quando nós não vivemos num verdadeiro Estado de direito…portanto é ridículo dizerem que a República faz 100 anos, porque nós não somos verdadeiramente uma República.

Ana Rita, 19 anos
Se calhar uma estátua nova, mais para o pós-moderno. Creio ser a oferta ideal. Que mais se oferece a uma República?

Vítor Caldas, 44 anos
Um bulldozer. Para aplanar o país, dando assim oportunidade a um novo início.

Rui Mada, 35 anos
Um governo novo. No estado em que estão as coisas, era o que estava a precisar neste momento

Leonor, 32 anos
Um bilhete de ida sem volta. Basta ver o estado em que o país está.

Mila Ribeiro, 53 anos
Políticos mais honestos. Porque os que os que têm aparecido, em especial desde o 25 de Abril para cá, é o que se tem visto. Esta era a minha oferta.

Beatriz Pereira, 27 anos
Daria férias. Para repensar. Há muita coisa a ser repensada na República, que não foi feito, e que estava nos planos e nos ideais dos fundadores republicanos em 1910.

Cristina Oliveira, 28 anos
Uma revalorização de valores. Porque as causas se vão desvanecendo.

Mirró Pereira
Se fosse tecnologicamente possível oferecer um “snap” do melhor futuro que pudéssemos mostrar-lhe, acho que seria esta a minha oferta, para que esta tivesse consciência de percurso que fez e do bem que poderia fazer ao país.

Ricardo Carrilho, 28 anos
Capacidade de ponderação. No estado em que as coisas estão, sem dúvida o que mais precisamos é ter é ponderar sobre o que se passa para poder analisar mais calmamente e tomar decisões mais acertadas.

Artur Pinto Coelho, 58 anos
Um bom governo. Para que resolvesse os problemas da nação, que são muitos, e não que ajudasse a aprofundá-los, como tem acontecido até agora.

Anónimo
Uma roupinha nova. Para condizer com os novos tempos.

Ricardo Ribeiro, 35 anos
Um livro de ética. Para terem em consideração certas regras para com a população portuguesa.

Paulo Castro, 28 anos
Um Salazar ou a Manuela Ferreira Leite. Para meter isto em ordem.

Rosa Gonçalves, 54 anos
Não entendo a questão. Mas quer oferecer algo à República? A oferecer algo, oferecia juízo aos políticos.

Anónima
Sou monárquica, o meu pai era monárquico, e estou extremamente desiludida com o rumo que o país tinha tomado. Hoje em dia vive-se pior que há 20 anos atrás, vejo os jovens aqui na faculdade ao lado a se formarem e a fazerem trabalhos que nada têm a ver. Olhe, estou muito desiludida para lhe oferecer algo!

Constança Barreiro, 31 anos
Não oferecia nada. Porque eu não associo nada à República, porque a República não me é algo familiar.

Anónimo.
Mais poder. Porque este país está uma bagunça.

Francisco Coelho
Mais respeito pelo povo. Porque eu até nem sou contra a Monarquia…

Anónima
Era interessante voltar a haver cavalos e carroças na cidade como em 1910. Acho que era uma boa oferta. Independentemente de haver evolução, são coisas que não deveriam ser excluídas. Era retornar e adaptar não só os costumes e trajes (que gosto muito), mas igualmente os ideais. Era esta a minha oferta.

Natália
Não oferecia nada, pois estou muito decepcionada com tudo, com a República, com a Monarquia, com as pessoas ou os políticos em geral.

Anónimo
Nada. Porque é que eu haveria de oferecer alguma coisa?

Manuel, 44 anos
Eu não vivo cá, mas olhando à minha volta, oferecia mais empregos.

Gonçalo, 37 anos
Um melhor sistema político. Porque a política está completamente desacreditada, o Povo não acredita nos políticos, porque estes não demonstram ser competentes, pois se o fossem isto não estava como estava. Mas a culpa é igualmente de todos. Deveria de haver uma grande percentagem de pessoas a votar em branco, que fizesse a classe política pensar um pouco. Isso mostraria o enorme descontentamento que se sente, por parte da população, no sistema ou nas pessoas que dão a cara pelo mesmo.

Maria José, 18 anos
Estabilidade, porque talvez por uma vez na vida, podia ser que tanto o governo fizesse um bom trabalho e a população não o criticasse tanto. Seria então uma república estável. Sei que é um pouco utópico, mas era o que oferecia.

Gueorgui Ivanov, 29 anos
A República de Platão. Era um velho tonto, que sonhava com o governo dos Sábios. Talvez porque sabia que todos os grupos organizados são egoístas e interesseiros. A representação democrática é brincar às casinhas (isto é, com a vida das pessoas reais). Para atender a valores superiores, é preciso desligar-se dos interesses corriqueiros que cada um de nós tem. O governo dos Sábios é uma utopia. Não porque seja impossível, mas pela simples razão que “o Poder” (cada vez mais isto equivale a dizer “o Dinheiro”) nunca deixará que isso aconteça. A Razão nunca se sobrepôs à Força. A Força é que determina a quantidade de Razão que lhe dá jeito em cada época histórica...e assim se faz o Mundo. O governo dos Sábios é uma utopia e para continuar a farsa da República que existe, venha daí o próximo tirano iluminado! Pelo menos viveremos contentes na resignação de que a Força assumiu forma visível e nada se lhe pode opor...

Rita Castro, 27 anos
Oferecia votos! Acho que a Republica ficaria feliz!

Duarte Gouveia, 35 anos
Oferecia-lhe uma bengala! Não uma bengala qualquer, mas uma do século XXI, com design, estilo, GPS incluído e toda a demais parafernália tecnológica que é hoje possível incluir num objecto tão pequeno. Para além de apoiar a República na sua já longa caminhada, evitava o desgaste dos joelhos que a poderiam levar a ter de recorrer no futuro a muletas ou andador, que têm muito menos dignidade. A bengala pode também ser um instrumento disciplinador para quem faltar ao respeito às instituições e à rés pública. E com o GPS, a República sempre evitava os passos perdidos pelos maus caminhos. Quem sabe para onde vai escolhe melhor o caminho!

Anésio Madredeus, 24 anos
Continuidade, tendo em conta que tem trilhado o seu caminho da melhor forma, ainda que não atingisse o máximo que creio ser possível, assim como força e mais ânimo para dar sequência ao bom que tem sido feito pelo país, sabendo-se que será sempre necessário esforçar-se muito mais.

Vítor Silva, 22 anos
Dava uma agenda, para que eles se organizem mais e possam efectuar as tarefas de modo mais eficiente e eficaz de modo a poder ajudar todos.

Tiago Saavedra, 22 anos
Juízo, olhando à desgraça em que isto vai.

Gonçalo Rodrigues, 22 anos
Uma Monarquia. Porque com a República já vimos que isto não dá nada. Com a Monarquia tu sustentas um rei. Com a República sustentas uns poucos.

Ana Pires, 22 anos
É uma boa pergunta…A República estava a precisar de uma mudança. Se isso desse para oferecer, era isto que dava.

Laura Correia, 16 anos
D. Afonso Henriques, para dar um senso de orgulho português, para sabermos porquê, para quê e por quem lutamos.

João Goes Ferreira, 27 anos
Pertinência, importância e atitude. Personifico a minha resposta e posterior presente na figura do Presidente da República. Transmite-me um distanciamento preocupante, comparado ao de um fantoche. Nos tempos que correm precisamos de um activismo fundamentado, responsável, pertinente e urgente. Diplomacias, aristocracias, preciosismos e "bonecos de loiça" são lugares do passado, onde reinava uma ostentação que hoje apenas serve para contaminar o suposto "trabalho" do Estado.

João Vieira
Uma venda preta. Para que ela possa continuar a aplaudir livremente o triste espectáculo que se assiste.

Andreia Fernandes, 22 anos
Sanidade. Achas que esta República é sã?

João Luís Lisboa, 51 anos
Nada. República é o que os cidadãos fazem dela.

 

 

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