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NRJ - "Não há outra rádio assim"
Paulo José

O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos.”
Nicolas Boileau

A NRJ-Rádio Energia nasceu a 8 de Abril de 1991, numa época em que ainda se ouvia a telefonia para além dos automóveis em hora de ponta, a internet era residual, o mp3 ainda não tinha sido inventado, e só havia dois canais na televisão para nos entreter.

Nos anos 90 a NRJ anunciava: “Não há outra rádio assim”. Não houve na altura nada que se lhe comparasse e, ainda hoje, não há uma estação que lhe tenha herdado a dinâmica e forma de comunicar. Aquela rádio, tal como a fizemos, já não existe nos tempos de hoje.

Era a rádio “Proibida a maiores de 21 anos”. E foi a rádio oficial daqueles que gritaram “não pagamos!”, na contestação às propinas, e a sintonia daqueles que antes de pegar nas pranchas ligavam o rádio para ouvir o “Surf Report”. No Verão, o autocarro da Energia rumava à costa e lá ficava até à tarde a debitar a emissão em directo. A rádio estava por todo lado.

Era a estação que tocava nas editoras discográficas, agências de publicidade, nas lojas e nos cafés. Era a estação que tocava à ida e à vinda nos carros que se apinhavam na Av. 24 de Julho, onde nasceram e cresceram diversos modelos de exploração do mercado da noite que faziam questão de tocar "a música da Energia" e onde, não raro, havia uma estrela da estação no lugar do DJ.

Era a rádio do magazine da noite M24, do Álcool Puro, do Kremlin e do Tó Pereira, do Johnny Guitar e do Zé Pedro, do Rockline e da saudosa Gartejo onde tantos e tão bons concertos se viram. Quase todos os dias havia festas e eventos onde constava o logótipo da estação. Foi sem dúvida, “A rádio dos 90”.

Todas as grandes estreias no cinema passavam semanalmente pela antena, havia especiais sobre o filme e ofereciam-se os respectivos convites para a antestreia. Havia reportagens nos concertos ao vivo e transmissões em directo a partir dos primeiros festivais. A Energia montou acampamento no 1.º Super Bock Super Rock, transmitiu a partir de Londres os Brit Awards, de Hollywood os Óscares, tinha crónicas diárias a partir das principais metrópoles mundiais e enviava emissários aos grandes concertos internacionais. A rádio importava o mundo inteiro para a dimensão nacional.

A NRJ-Rádio Energia tocava os êxitos antes de todas as outras. Desde "Show me love" da Robin S. até ao "Symphony of Destruction" dos Megadeth, passando por "Ordinary World" dos Duran Duran e por "Life is a Highway" do Tom Cochrane, "Oub'lá" dos Mão Morta e o "Talvez Foder" do Pedro Abrunhosa. Se estava na playlist da Energia provavelmente viria a ser um hit. E houve centenas deles: James Reyne, MC Solaar, Bon Jovi, Firehouse, Gene Loves Jezebel, Ace of base, Thomas Dolby, Soundgarden, Jovanotti, Prince, Pearl Jam, Spin Doctors, Arrested Development, Offspring, Bjork, Aerosmith, Crowded House, Metallica, Stone Temple Pilots. Havia espaço para todos, numa abrangência que hoje seria questionável, mas a formatação e especialização da rádio actual ainda não estava em vigor. A playlist da Energia conseguia juntar Dance, Pop, Rap, Rock e Metal em doses equilibradas e ainda sobrava tempo para um ou dois temas à medida dos animadores.

Neste campo, a Energia teve dos melhores: José Marinho, Augusto Seabra, Miguel Quintão, Mónica Mendes, Augusto Fernandes, Nuno Reis, Paulo José, José Coimbra, António Freitas, Henrique Amaro, entre muitos outros, com produção de Sérgio Noronha e direcção de Nuno Santos. À hora certa - hora Coca-Cola - havia as notícias ao estilo singular do Paulo Bastos, do Pedro Malaquias ou da Sofia Louro. Havia jingles brilhantes e outras sonoplastias extremamente bem conseguidas, era o tempo em que o Nuno Miguel, o César e o Castanheiro gravavam em fitas analógicas e não para dentro de computadores. Havia o Flash Moda do Pedro Miguel Ramos, as histórias do Álvaro Costa, o especial do Alcobia, os recados do Capitão Alvarez, e as bacoradas do Avô Meireles. Estes e muitos outros artistas que passaram pelo 2.º andar da Av. de Ceuta, em Alcântara, e que, dentro da sua especialidade, contribuíram para dar forma à rádio e crescer com ela, num elenco cuja cotação seria, nos dias de hoje, improvável manter numa única antena. A NRJ valeu pelo brilhantismo das suas peças e pela forma como foram conjugadas. Era a rádio, com gente dentro.

A NRJ - Rádio Energia irá comemorar 20 anos em 2011.
Haverá por aí alguém que ainda se lembre?

 

nrj
Logótipo NRJ


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