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Roupas Beras
Hugo Milhanas Machado

Roupas Beras
Hugo Milhanas Machado

Aqueles objectos outra vez

Vão remadores à proa do canto
ou o braço calado na salmoura
que vamos falando e
vendo da mão enquanto escrevo
O que me interessa é atleta, vem de voz
que valha tudo isto como vou mas só
um anjo que faça a melodia mas só, que ame
Certo, que não tem tamanho o jogo deste século
e não nascemos pra ele que éramos nós há dez anos
A democracia verbal herdámo-la
e uma maneira de estilo muito conforme
a da gente a continuar
Não nascemos para ele porém nascemos na praia
abrimos e fechamos o amor, amamos depressa
abrimos e fechamos castelos, mar enorme
muito grande que vai do meu país ao teu
mas não sei onde tu estás
e se aqui estamos faz dez anos tantos anos
Um profundo alento, só isso, onde passar nos dias
e o poema cala

Procuro ver da mão enquanto escrevo
Pouco verso mas a sílaba calhou bem
Olha foi do século

 

Os paisanos

Morávamos longe de qualquer
lugar onde nos vissem, a terra era maior
eu levava a mão no calção de banho
e tu esperavas na ribeira, eu cantava
mas não te importava muito nem
a música nem o jeito dos lábios
e porém agora somos das canções
Tínhamos uma boa colecção de segredos
como tudo, uns melhores outros piores
uma forma apenas de se ter nos dedos que
a música deve ser a madre da tristeza
O primeiro beijo caramba foi dos melhores
fará agora um ano e foi se me lembra pela televisão

 

Esta vida assim assim

Ainda nos poder inventar o mar
é maneira única de dizer o que por ora temos
e nem temos outra coisa e nem queremos
Trazia-te os olhos nos meus
entretanto certa sorte de os saber nos meus
à moda de coreto num dia à tarde
e agora devagarinho
agora dando de beber nos meus
tem um encantamento que avalia isto de ser assim
e mais não ter que uma vontadinha
ou forma contente de somente agradecer
Ainda nos podem afinal inventar o mar
Do meu lugar ao teu é esta vida assim assim
um redondo de por aí ir querendo rebolando
de ainda se ser assim assim
assim tão nos teus meus olhos
que a própria natureza de rebolar
não escolhe vagas nem encolhe portos
é pateta e é coisa nossa, gente do mar

Roupas beras, 2010

 

 

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